Os dados divulgados pela pesquisa do Pisa 2025 da OCDE sobre uso de IA revelam um retrato claro do ecossistema educacional: 48% dos estudantes de 15 anos no Brasil utilizam ferramentas de inteligência artificial ao menos uma vez por semana para estudar, superando a média global dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)(46%).
O debate sobre proibir ou liberar a inteligência artificial em sala de aula já ficou no passado. A tecnologia foi incorporada à rotina dos estudantes, enquanto grande parte das instituições de ensino ainda busca definir normas claras para lidar com esse cenário.
A análise dos hábitos acadêmicos revelou quais são os usos mais comuns da inteligência artificial entre os alunos, destacando um cenário em que o Brasil assume posições de destaque em relação ao panorama internacional, a qual pode ser dividida em:
O problema central não é a adoção da tecnologia pelos estudantes, mas a falta de acompanhamento pedagógico nesse processo.
Quando o aluno recorre a plataformas abertas de forma autônoma, sem a mediação da instituição de ensino, a atividade ocorre sem critérios para avaliar a confiabilidade das informações e sem conexão com a matriz curricular. Por isso, o papel das instituições precisa evoluir de uma postura meramente fiscalizadora para uma mediação ativa de intencional da tecnologia, mantendo o aluno como protagonista do ensino aprendizagem, mas oferecendo orientação crítica, pedagógica e segura.
Para organizar essa transição, as instituições precisam focar em três frentes:
Ignorar a presença dessas ferramentas na rotina acadêmica afasta a instituição de ensino da realidade dos estudantes. As instituições que definirem estratégias claras para orientar o uso da tecnologia poderão elevar o engajamento e a qualidade da aprendizagem em sala de aula, além de preparar os alunos para utilizar esses recursos com autonomia, responsabilidade e pensamento crítico.
Mais do que restringir o acesso, o desafio está em integrar a tecnologia ao processo pedagógico de forma intencional, segura e alinhada aos objetivos de aprendizagem. Nesse cenário, a instituição fortalece seu papel como mediadora do conhecimento e transforma a inteligência artificial em uma aliada da educação.